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| O Talentoso Ripley. Phyllis Nagy/Dramaturgia. Hugo Bonèmer / Direção Concepcional/Performance Maio/2026. Peter Wrede e outros/Fotos. |
Depois da releitura cinematográfica em 1999, O Talentoso Ripley, romance de Patricia
Highsmith, publicado em 1955, e também de uma série televisiva de sucesso, alcança,
agora, sua primeira versão brasileira para os palcos, a partir da original
adaptação dramatúrgica de Phyllis Nagy.
Retomada pelo ideário do ator Hugo Bonèmer que, além da
direção concepcional, contando com a parceria de Kamilla Rufino, assume o papel
titular, estendendo sua atuação à
cenografia, com diferenciais dimensionamentos no entorno de outros aspectos tecno-artísticos
desta montagem.
Em espetáculo integrado por um elenco reunindo nomes de duas gerações, a
saber, Cássio Pandolfh, Francisco Paz, Guihermina Libanio, João Fernandes, Laura
Gabriela e Tom Nader, em sua quase maioria, alternando-se em diferentes
personagens.
A trama revela um jovem nova-iorquino Tom Ripley, inseguro em suas escolhas existenciais, oscilando entre
mostrar-se independente, face à sua instável situação psicológica e material, não só através
de pequenos golpes financeiros como por um falseado comportamento disfarçado
por mentiras.
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| O Talentoso Ripley. Phyllis Nagy/Dramaturgia. Hugo Bonèmer / Direção Concepcional/Performance Maio/2026. Peter Wrede e outros/Fotos. |
Até quando, por um destes acasos do destino, se depara com um estranho personagem Herbert que pede a Tom Ripley, sob várias benesses financeiras, que vá até a Itália em busca do filho Rickie que o deixou sem nunca dar quaisquer noticias. O convencido Ripley acabando, finalmente, por encontrá-lo, vivendo lá como um socialite.
O que outra vez provoca uma transmutação na sua instável
personalidade, fascinado pelo glamour italiano e pela vontade de se tornar o
outro diante de tantas mordomias, radicalizando seu anseio pelo falseamento
identitário, sequenciado por ato homicida.
A caixa cênica (na concepção de Hugo Bonèmer) sendo
ocupada por elementos materiais que, em seu conceitual estético-minimalista, trazem um simbólico referencial, de conotações variáveis
segundo a decifração de cada espectador, diante das mutações psico-ambientais de espaço e tempo.
Instauradas pela prevalente representação presencial, quase
num sotaque monologal, por intermédio dos solilóquios do personagem protagonista e no apelo confessional de suas falas. Que se expandem numa formatação de
questionamentos verbais direcionados aos espectadores, aos quais se dirige em todas as suas passagens cênicas.
Acentuando-se este clima pelas tonalidades emotivas recíprocas
- espaço cênico/plateia - propiciadas pelos efeitos luminares (Renato Machado),
incidindo sobre as indumentárias cotidianas (Sergio Medina Paranhos e Joe
Nicolay), enquanto contrastam pelo voyeurismo incitado no desnudamento completo
do protagonista, em metafórica representação
de um trajeto aquático.
A trilha sonora (Tauã de Lorena e Laura Gabriela) é conduzida através de acordes sutis como um
leitmotiv pontuando, de um lado o caráter imersivo, ao mesmo tempo em que caracteriza
a atmosfera de suspense de um thriller psicológico.
A duplicidade performática dos outros atores em
personificações absolutamente opostas, por vezes, aparenta certa fragilidade na sua
representação, o que se torna subliminarmente perceptível pela concentração exclusiva do olhar armado de cada espectador no protagonista titular.
O Tom Ripley, aqui
apresentado por seu intérprete Hugo Bonèmer, sabendo como bem conduzir os difíceis
enfrentamentos na decifração do instigante enigma de um jogo entre a verdade e a mentira, através da
carismática inserção dos contornos distorcidos
do seu personagem na atenção interativa com o público.
Para um espetáculo marcado por um dimensionamento narrativo fragmentário, destacam-se o empenho da convicta direção e o fascínio da performance concepcional imprimidas por Hugo Bonèmer, para uma proposta estético-dramatúrgica em compasso de um meta teatro.
Revelando, sobretudo, consistente
competência artesanal no favorecimento de uma arrojada representação, capaz tanto
de entreter como de perturbar o público, sem nunca deixar de lado suas
intenções críticas...
Wagner Corrêa de Araújo
Após o Teatro Gláucio Gill e a Casa
de Cultura Laura Alvim, “O Talentoso Ripley” retorna em sua terceira e instantânea temporada,
agora na Sede da Cia dos Atores/Escadaria Selarón/Lapa, com sessões nos dias 5, 6, 7, 12 e 15 de junho, sempre
às 19h.



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