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| Bodas / Focus Cia de Dança. Alex Neoral / Direção Concepcional / Coreográfica. Março/2026. Léo Aversa/Fotos. |
Com um referencial título que, na história da dança, remete a
um dos clássicos do século XX, pelos Ballets Russes por Bronislava Nijinska, desta
vez as Bodas da Focus Cia de Dança assumem um
original enfoque comemorativo do simbólico convívio artístico do coreógrafo Alex
Neoral com seu afinado corpo de bailarinos.
Nesta proposta retrospectiva, sem o intuito de fazer uma mera
colagem de trechos selecionados no entorno de criações que continuam a integrar
o repertório da Focus Cia de Dança, o conceitual coreográfico é elaborado como
uma releitura destas obras para tornar Bodas um espetáculo inédito.
Propiciando para aqueles que tiveram o privilégio, seja como espectadores
ou pela análise crítica, de terem visto a maioria destas criações, agora, com Bodas, numa espécie de
decifração desta proposta estética a partir da sua reunião fragmentária,
priorizando o foco em 16 montagens da Cia.
Além da sua parceria com uma habilitada equipe de criação comandada por Tatiana Garcias que, neste quarto de século, tornou-se um nome fundamental acompanhando, inicialmente como bailarina e depois como produtora, todas as fases de desenvolvimento da Focus, desde seu primeiro espetáculo Vértice, no despontar do terceiro milênio.
A Cia e seu inventor, diretor e coreógrafo (Alex Neoral) sempre revelando novos direcionamentos na corporeidade psicofísica dos bailarinos em sua transmutação das relações de tempo e espaço, nesta celebração em compasso ritualístico, sob o lance de dados de um jogo coreográfico memorial.
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| Bodas / Focus Cia de Dança. Alex Neoral / Direção Concepcional e Coreográfica. Março/2026. Léo Aversa /Fotos. |
Onde a caixa cênica (Natália Lana) é preenchida por plataforma frontal ou superposta como uma cobertura, ora reproduzindo imagens originais da obra inicial, sinalizadora da futura trajetória
artística da Focus, ora transmitindo reflexos especulares dos bailarinos em sua
atuação no palco, em imersiva plasticidade.
Complementada por exponenciais efeitos luminares (Anderson Ratto) e diferenciais figurinos (Maria
Osório e Lucas Pereira) com brilhos e tonalidades prateadas sobrepostas, sem
perder a identificação de caracteres singulares que remetem às obras coreográficas
escolhidas.
A trilha sonora, sob o ideário de Alex Neoral, percorre em
seus acordes e temas musicais uma circularidade que alcança vários gêneros, indo
do barroco à música eletrônica, da MPB ao tango argentino, passando pelo
cancioneiro romântico.
Esta multiplicidade de facetas impulsionando a
expressividade do corpo dançante e estabelecendo afinidades, em níveis variados,
com o gosto específico de cada espectador, de Bach a Steve Reich, de Astor Piazzola
a Chico Buarque e Ney Matogrosso, incluindo ainda Roberto Carlos.
Pela qualitativa e coesiva entrega dos dez bailarinos (Afonso
Gondin, Bianca Lopes, Bruno Feliciano, Carolina de Sá, Cosme Gregory, Guilherme
Nunes, Olivia Pureza, Paloma Tauffer, Wesley Tavares e Yasmin Mattos) há que se
destacar como sua adesão à performance torna-se um elemento essencial, através
de quadros fracionados, ao andamento
sequencial ininterrupto para um resultado integralizado de uma obra, completa em todos os seus aspectos.
Ora rigidamente abstratos, vez por outra narrativos sem cair na
linearidade, quando reproduzem citações verbalizadas, entre a literatura de
Clarice Lispector e os versos de canções de Chico Buarque e Ney Matogrosso,
extensivo a projeções numéricas, enquanto toques sonoros percussivos parecem sugestionar 25 badaladas de um sino ou
de um relógio, alusivas às “Bodas" de
Prata da Cia.
A direção coreográfica-concepcional de Alex Neoral sempre dimensionando
os seus desenhos coreográficos pelo vai e vem das entradas e saídas de variadas formações
grupais, energizadas entre pausas de silêncio, em artesanal unicidade
cronométrica de um tempo gestual destinado à pulsão imediata do próximo
instante.
Tudo, enfim, ressaltando mais um resultado do processo criador de Alex Neoral frente à Focus Cia de Dança, reinventando sua essencial contribuição coreográfica à dança contemporânea brasileira, e, ainda, repercutindo o oportuno apelo do pensar filosófico de Gaston Bachelard:“Não se encontra o espaço, é sempre necessário construí-lo”...
Wagner Corrêa de Araújo
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