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| Don Quixote. BTM/RJ. Hélio Bejani/Direção Artística. Agosto/2026. Alicia Cohim e Daniel Ebendinger/ Fotos. |
Nas telas do cinema (Meliès,
Pabst, Orson Welles) e das artes plásticas (Gustave Doré e Portinari),
na música de Massenet, de Richard Strauss, no balé de Petipa e Minkus, assim como nos palcos da Broadway, o tão celebrado
personagem de Miguel de Cervantes sempre
motivou o universo artístico e fascinou plateias.
Dando continuidade à sua temporada coreográfica 2026, o Balé
do Theatro Municipal carioca reapresenta Don Quixote, desta vez
trazendo no papel titular mais um destes talentos revelados pela Escola do
Teatro Bolshoi no Brasil - o paulista Gabriel Lopes que ali se formou em 2016,
partindo pouco depois para uma brilhante trajetória em renomadas cias russas.
E que após ter realizado seu sonho, ao dançar pela primeira
vez no Municipal do Rio apresentando-se, ali, ao lado de Nathalia Osipova durante
o evento de premiação que leva o titulo da famosa bailarina. Está voltando, agora,
como um dos principais protagonistas desta remontagem de Don Quixote, no papel de Basílio, em espetáculo do BTM/RJ, sob a direção artística e coreográfica
de Hélio Bejani junto ao maître Jorge Teixeira.
Alternando-se no elenco dos principais solistas da mais tradicional e atualmente a única no País que dá prioridade exclusiva à dança clássica, Gabriel Lopes e Juliana Valadão apresentaram-se no primeiro final de semana, nos papéis centrais como o casal enamorado, no tão conhecido e exemplar balé romântico do século XIX.
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| Don Quixote. BTM/RJ. Hélio Bejani/Direção Artística. Agosto/2026. Alicia Cohim e Daniel Ebendinger/ Fotos. |
A Orquestra Sinfônica do TM/RJ sendo conduzida pelo maestro
Tobias Volkman, um expert brasileiro na regência de grandes obras do repertório
de balé, sabendo imprimir ritmo, magnetismo e sensibilidade estética, ao dimensionamento de
uma partitura plenamente voltada ao exibicionismo pirotécnico.
Onde a cenografia mantem-se conservadora em seu figurativismo
sob o uso de telões, ligeiramente kitsch, ao substituir a ambiência da praça flamenca
de flores por bolas coloridas, no ato final, sob efeitos luminares (Paulo Ornellas)
vazados, intermediados por sombras no ato branco do sonho de Don Quixote.
Dentro de sotaque mais tradicional destaca-se o apuro dos
figurinos (Tania Agra), retratando desde típicos personagens aldeões, toureiros
e ciganos, além de um tratamento mais formalista das indumentárias do casal
apaixonado, especialmente na cena das bodas.
O argumento usando a titulação apenas pelas instantâneas passagens
do papel titular mostrando Don Quixote
ao lado de seu escudeiro Sancho Pança,
devidamente paramentados com os elementos característicos da original trama literária
de Cervantes, incluídos os delírios de um cavaleiro andante desafiando um
moinho. Enquanto se sucedem papeis criados especialmente para o balé por Petipa,
sob os acordes musicais de Ludwig Minkus, como coadjuvantes da história do amor
que conduz o enredo coreográfico.
São tantos tipos e situações numa representação de grande apelo
mimético que exige muito timing em sua entrega à psicofisicalidade das danças
grupais e exibições solistas, valendo
ressaltar o empenho do Corpo de Baile/TM fazendo o melhor por este alcance técnico-expressivo.
Mas, sem dúvida alguma, a concentração maior palco-plateia
fica no apelo carismático dos solos e pas-de-deux assumidos por Kitri e Basílio,
na performance respectiva dos bailarinos Juliana Valadão e Gabriel Lopes. A
começar da Kitri, por Juliana Valadão, em sua elegante adequação do porte físico à emotividade
da entrega ao papel, desde o entusiasmo da variação do Ato I aos
fouettés executados com apuro, durante a qualitativa parceria do Grand Pas de Deux.
Em performance coreográfica tornada ainda mais luminosa através do Basílio
de Gabriel Lopes brilhando, pela sua presencial teatralidade e perfeccionismo
técnico, já ao despontar em cena, com representação sinalizada por uma expressiva
corporeidade, contagiante do seu alegre sorriso à espontaneidade de movimentos
gestuais, no entremeio de giros em espiral e saltos exuberantes de um artista completo.
Em noite de justo reconhecimento e para consagração maior de
talentos pátrios além-fronteiras, sob bela iniciativa direcional do BTM/RJ. O que
deveria, enfim, se tornar um hábito nas
grandes companhias de dança Brasil afora...
Wagner Corrêa de Araújo
Don Quixote / Balé e Orquestra do TMRJ, em temporada no Teatro Municipal/RJ, com horários
diversos, até o próximo domingo, 30 de agosto.
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