VOU DEIXAR DE SER FELIZ POR MEDO DE FICAR TRISTE?: UMA COMÉDIA ROMÂNTICA EM COMPASSO CIRCENSE

FOTOS/CAROL BEIRIZ

Ou quando o amor não estabelece qualquer conflito geracional fazendo prevalecer a atração afetiva e o desejo sexual entre dois corpos sem identidade cronológica. Esta história pode acontecer todos os dias e muitos de nós dela fomos ou somos protagonistas.

Pois é assim, também, que transcorre esta fabulação romântica, de muita previsibilidade mas capaz até mesmo de abrir outras portas ao coração. Revelando surpresas sim, neste começar outra vez de uma mulher mais avançada em anos no amar outro alguém com rótulo da jovialidade.  

Na pulsão de ciumenta possessividade provocada no filho, quase da mesma idade do namorado e amante, incapaz de aceitar que se divida o conluio de amor filial e maternal em tríplice convivência doméstica com um estranho no ninho e no oficio da paixão.

Vou Deixar de Ser Feliz Por Medo de Ficar Triste?, com um lastro verista no imaginário dramatúrgico autoral de Yuri Ribeiro, em parceria textual e de trajetória amorosa com Claudia Wildberger, ampliado no envolvente apelo artesanal do comando diretor e conceptivo de Jorge Farjalla.

Onde ele, Yuri, aparece como o propulsor masculino da trama no personagem Daniel envolvido passionalmente com Andrea(Paula Burlamaqui), entre os pesares conflituosos do ciúme filial do pupilo dela, na representação de Vitor Thiré (desdobrando-se  em outras papeis). E contando, ainda, com a preciosa intervenção musical, ao vivo e a cores nostálgicas, de Jujuba Cantador e seu acordeão.

Mas é no clima de delírio burlesco da arquitetura cenográfica (José Dias), com substrato circense no seu formato de picadeiro móvel sob lona, que a amarrada e carismática gramática teatral de Jorge Farjalla potencializa os mecanismos histriônicos e dramáticos dos personagens.

Extensivos às nuances em tessitura  sépia dos figurinos (também de sua lavra) que, sob um ambiental desenho luminar(Jacson Inácio/Vladimir Freire) e nos acordes melancolizados da instrumental performance de Jujuba, favorecem uma estética entre o teatro popular, o circo e e a narrativa novelesca, com sutis referenciais do universo felliniano e da commedia dell arte.

De forte presencial onírico/poético, ironizado em passagens gestuais grandiloquentes, com um elenco sintonizado no alcance do dimensionamento psicológico das personificações em obrigatória criação da atual temporada.

Da convicta entrega emotiva de Paula Burlamaqui aos arroubos de exposição do desejo da mulher mais velha por um homem jovem à veemência confessional e à irradiação gestual declarativa do amor em Yuri Ribeiro.

Sem esquecer a vibrante espontaneidade de Vitor Thiré reafirmando sua técnica interpretativa no paralelismo de papéis e no desalento de sua personagem principal. Ora revolto ora risível e com tal expansividade cênica que acaba dominando o público.

                                                Wagner Corrêa de Araújo


Vou Deixar de Ser Feliz Por Medo de Ficar Triste? está em cartaz no Teatro das Artes, sexta e sábado, às 19h. 70 minutos. Até 1º de setembro.
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