VIANNINHA CONTA O ÚLTIMO COMBATE DO HOMEM COMUM



FOTOS/GUILHERME GAZZINELLI

O belo texto de Oduvaldo Vianna Filho, Em Família, original de 1972, retorna aos palcos numa concepção de Aderbal Freire-Filho. Que, numa homenagem ao Teatro de Arena ,berço dos grandes momentos e repositório de realizações do dramaturgo, renomeou de  Vianninha Conta o Último Combate do Homem Comum.

A propósito da temática veio a referência a uma obra musical, curta mas emblemática, do compositor americano Aaron Copland –“Fanfarra Para o Homem Comum “ onde , apenas com metais e percussão, ele faz um expressivo tributo a um cidadão qualquer, ao mais comum dos homens, àqueles aos quais o destino não diferenciou de qualquer dos mortais.

Os personagens desta comédia dramática são estes homens comuns, seres impotentes diante dos reveses do cotidiano vivendo este dia a dia sem ambições,combatentes mais preocupados em alcançar a vitória na batalha pela sobrevivência material .

Aqui ,o que importa é fazer marchar a máquina da vida compensando com as alegrias do convívio familiar, a difícil luta existencial, sem casa própria, com contas a pagar, entre as dores , defeitos e desafetos.E onde os pais transformam em prêmio a partida dos filhos, ainda que em troca de solidão e abandono.

Enquanto isto ,este casal idoso(Rogério Freitas/Vera Novello) vai sendo aniquilado pela carência de recursos que o obriga a trocar o acolhedor ambiente original do lar por um recanto na casa dos descendentes , primeiro passo para o isolamento final num asilo de velhos.

A nuance melodramática que o tema faz converger no roteiro dramatúrgico , tem na versão atual um proposital distanciamento brechtiano , simbolizado aqui , ora por um cenário minimalista que evita a prevalência do realismo ,ora pela presença permanente em cena de todos os atores e, especialmente, pelo acréscimo de um palhaço( Kadu Garcia) .

Este último com suas instantâneas entradas em cena interfere na ação,como se interrompesse a trama remetendo à frase operística de I Pagliacci -"La commedia é finita", provocando assim a reflexão da plateia. A impotência dos familiares diante do destino reservado ao casal idoso é acentuada, ainda ,pelo emotivo score musical de Tato Taborda.

E o equilibrado e acertado domínio cênico do elenco (incluindo -se aí , Isio Ghelman,Paulo Giardini,Ana Velloso,Beth Lamas) torna visível a inventiva proposta estética da direção de um espetáculo em construção, onde a cena fatalmente remete ao ato de heroísmo do homem comum arquitetando a sua própria trajetória existencial.



VIANNINHA CONTA O ÚLTIMO COMBATE DO HOMEM COMUM está em cartaz no Teatro Glauce Rocha, Centro, de quarta a domingo, 19h. 120 minutos. Até 24 de julho.Entrada franca, mediante senhas.





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