MEU PASSADO ME CONDENA: PARA RIR DE SI MESMO

FOTOS/ JOÃO CALDAS

O humor televisivo vem se transmutando na sua expansão por outras mídias, das redes virtuais ao cinema, passando ainda pela cena teatral.

Meu Passado Me Condena é um exemplar aprimorado  deste fenômeno  que tem atingido as massas, em inéditas proporções. Do programa televisivo chegou ao cinema em duas sequências, mantendo o seu  título original. E, finalmente, os palcos , sempre com a roteirização de Tati Bernardi.

A trama , ao espelhar uma banal situação cotidiana, atinge sua principal intenção – diversão para quem gosta do gênero. Ultrapassando a sua superficialidade com uma envolvente exploração do lado engraçado dos fatos.

Depois de se conhecerem numa fila de banheiro, os personagens, que aqui mantem os nomes próprios dos atores ( Fábio Porchat/ Miá Mello), casam-se um mês depois. Na noite das núpcias, no quitinete de Copacabana, discutem sobre os prós e contras da sua nova trajetória existencial.

Lembrando fatos pessoais, entre atritos e cumplicidade, revelam verdades encobertas, disputam seus egos, confrontam  gostos e identidades, numa irônica  e risível desconstrução das ilusões românticas.

Onde o grande mérito está na naturalidade com que assumem um tempo claro de comédia, sem se deixarem apropriar  pelo exacerbado histrionismo. O que, de imediato,cria empatia com o público capaz ,assim, de se identificar com estes personagens , rindo de si mesmo.

O texto , construído com um linguajar do dia a dia - informal, simplificado, direto, vai hipnotizando cada espectador que, assim,compartilha com a precisão do jogo lúdico desenvolvido.

E mesmo com a previsibilidade da maioria das situações, o caráter de comédia inconsequente é compensado  pelo carisma, espontaneidade e  energia dos dois atores. Que , no seu absoluto domínio da gestualidade, são capazes de criativos improvisos e achados, sem jamais perderem a veia da comicidade.

Com ocasionais oscilações no alcance das  projeções vocais de Fábio Porchat que, felizmente, é transcendida pela química operada por sua presença física, reiterativa do reflexo de  sua popularidade na tv, cinema e internet.

A concepção cenográfica (Aurora de Campos), singularizada na ocupação plena pelas enormes caixas de presentes, não permite maiores vazões para as luzes (Tomás Ribas). Tendo funcionalidade os figurinos (Juli Videla)e, com menor incidência ,a trilha sonora (Marcelo Alonso Neves).

Inez Viana , na  direção,  transpõe a segurança de ser, também,atriz na série e nos filmes. Instalando, com sua  habitual competência e espírito crítico, a magia necessária a um eficaz momento do humor teatral.





MEU PASSADO ME CONDENA está em cartaz no Teatro das Artes, Gávea, sexta e sábado, 21h;domingo, 20h.  70 minutos . Até 27 de novembro.
     
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