TEMPORADA TEATRAL 2015 : AUDACIOSA INQUIETAÇÃO CÊNICA

CARANGUEJO OVERDRIVE / FOTO JOÃO JÚLIO MELO


A decadência política, a crise econômica e a incredulidade no que vem por aí, não foram capazes de tirar o brilho de um ano de plenitude em realizações cênicas na dança, na ópera e no teatro especialmente.
Um variado panorama enriquecido não só por  textos além fronteiras, mas pela revelação de uma dramaturgia doméstica de transcendente  força, em impactantes  e descortinadoras  montagens.
Fica difícil, apenas,  enumerar tantos espetáculos de qualidade, sem correr o risco de não se dar o devido destaque por muitos merecido, neste ligeiro rascunho em forma de resenha. Sem  haver, aqui,  qualquer  intenção de delimita-los na classificação dos melhores do ano, assaz  presente nas inúmeras listas postadas.
 
Pensamos, então, na seleção inclusiva de  alguns , nunca   por categoria,  por gêneros ou temáticas, mas por sua impulsividade estética.
Tendência constante e  de   marco revelador nos palcos cariocas no ano que se encerra. Através do  ambiente multifacetado entre a linguagem teatral e outros universos artísticos. Entre o texto ensaiado e o linguajar coloquial. Entre o imaginário e   o metafórico . Ou na  denúncia, pelo realismo cru   e pela verdade sem disfarces.


KRUM / FOTO BY NANA MORAES
 
Lembrando, ainda  , certos títulos simbológicos, sem limites nacionalistas, numa absoluta independência de concepção e inventividade, tais como “A Floresta Que Anda ”(Christiane Jatahy),  Krum ( por Márcio Abreu) e  Salina - A Última Vértebra( Cia Amok).
Caracteres estilísticos extensivos à exponencial proposta/performance de obras autorais como O Narrador( Diogo Liberano), Caranguejo Overdrive( Pedro Kosovski), Projeto bRASIL ( Márcio Abreu), todas com  provocativo referencial de “work in progress”.
 
Além de inusitadas surpresas cenográficas em torno da solidão virtual , da incomunicabilidade e  dos preconceitos,  explicitadas no despontar de novos criadores em Para Os Que Estão em Casa (Leonardo Netto),Mantenha Fora do Alcance do Bebê ( Sylvia Gomez) e  BR-Trans(Silvero Pereira) .
 


SALINA (A ÚLTIMA VÉRTEBRA)/FOTO BY DANIEL BARBOSA
 

Sem deixar de lado, as retomadas conceituais de consistente teor crítico com Daniel Herz( O Pena Carioca),  na interiorização plástica de Inútil a Chuva ( da Armazém  Cia de Teatro) , no intimismo confessional de Em Nome do Pai ( via Guilherme Leme/Vera Holtz) e na visceralidade da proposta de  Abajur Lilás (por  Renato Carrera).
 
Enquanto o musical a la Broadway teve sua culminância no classicismo  do Kiss Me Kate- O Beijo da  Megera (da dupla  Botelho/Moeller), O Beijo no Asfalto - O Musical ( segundo João Fonseca) replicou  horizontes brasileiros além do desgaste das visões biográficas.

E que ,assim, diante dos palcos constatados, continue em 2016 , este, cada vez mais audacioso,  pensar dramatúrgico e esta  inquietante criação cênica,  para o bem de todos e para a felicidade geral da nação teatral brasileira.


O BEIJO NO ASFALTO/FOTO BY RENATO PAGLIACCI


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