LOVE STORY - O MUSICAL : COM UMA FURTIVA LÁGRIMA

FOTOS/GUSTAVO BAKR

O que dizer de uma garota que gostava de Beatles e Bach e morreu aos 25 anos?”. Já no prólogo de Love Story – O Musical, uma antevisão  de um drama sentimental com direito a uma torrente lacrimosa. Como  em 1970, na sua versão original, simultaneamente, para o livro(Erich Segal) e para a tela(Arthur Hiller).

No pós-quatro décadas , a história renasce como melodrama, no musical inglês da dupla Stephen Clark e Howard Goodall ,em temporada no West End de Londres(2010), e, agora, na versão brasileira sob a dupla lavra de Artur  Xexéo( texto) e Tadeu Aguiar (concepção diretorial).

Jenny (Kacau Gomes),menina simples de Nova York, filha de imigrantes italianos e estudante de música erudita , acaba se casando com Oliver(Fábio Ventura), aluno de direito em Harvard e de uma família de posses que se opõe ao relacionamento. Mas esta paixão novelesca é interrompida, prematura e tragicamente, por uma doença terminal.

Aqui, muitos duetos  da dupla amorosa revelam o empenho emotivo/técnico do casal protagonista, com maior fluência interpretativa e arrojo vocal na atuação presencial de Kacau Gomes que na discricionária ousadia de Fábio Ventura.

Nos papéis coadjuvantes, destaca-se  o Senhor Cavilleri (Sérgio Menezes), como o espontâneo  e vivaz pai de Jenny, em consistente performance aliada à simpática atuação de Ester Freitas como sua mulher. Além de Ronnie Marruda (o pai de Oliver) e que, praticamente, não tem nenhuma chance para exibir seus anteriores dotes de cantor.

Completam o elenco , outros  seis atores/cantores/bailarinos, com melhores possibilidades em cenas de conjunto e alguns raros e pouco notáveis solos musicais.

E enquanto a coreografia( Alan Resende) apenas preenche o espaço cênico em seu extremado comedimento, há um apuro no comando musical ( Liliane Secco) de vozes, ao lado de  um septeto de piano e cordas.

De profissional execução e sotaque camerístico, ainda que o score soe quase monocórdio na prevalência de  seus acordes de melosa romantização. Mas de enérgica excepcionalidade na cena do jantar italiano(Pasta), com seu referencial/ tributo a uma passagem ( Spaghetti) das operetas da dupla vitoriana Gilbert and Sullivan.

Suprindo a previsibilidade de uma  trama dramatúrgica melancólica, na sua íngreme missão de provocar pelo menos uma furtiva lágrima, há um irradiante aparato cenográfico (Edward Monteiro). Que na sua articulada mutabilidade  tem sintonia no desenho da iluminação (Aurélio di Simoni), ressaltando, também, um acordo com os tons aquarelados do figurino( Ney Madeira/Dani Vidal).

A tradução (A. Xexéo),com sua leve nuance irônica, dá suporte à saída eficaz e inteligente de Tadeu Aguiar na idealizada tessitura de um black musical, como substitutivo crítico de uma retomada temática, de lirismo anacrônico e de lugares comuns amorosos.

Mas capaz, ainda assim, de transmutar, com brio e envergadura, esta superficialidade folhetinesca, em mais uma generosa contribuição ao desenvolvimento do teatro musical brasileiro.


LOVE STORY-O MUSICAL está em cartaz no Teatro Fashion Mall/São Conrado, sexta e sábado, às 21h;domingo,às 20h. 90 minutos . Até 23 de outubro.

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