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| Remix/Companhia de Dança Deborah Colker. Deborah Colker/Direção Coreográfica. Junho/2026. Flávio Colker/Fotos. |
Em 1994, numa época que refletia a perspectiva de novos tempos para a dança contemporânea em moldes brasileiros, a estreia de Vulcão lançava as bases estético-coreográficas da Deborah Colker Cia de Dança. Trinta e dois anos após, seu mais novo espetáculo - Remix - torna-se, assim, um simbólico tributo especular àquela data.
Onde começava um processo de busca inventiva a partir das
relações movimento-espaço, conectando a técnica clássica e contemporânea, no
simbiótico uso de elementos diversos indo da energizada dança de rua à pulsão
da ginástica olímpica, junto ao desafio da acrobacia com seu referencial
circense.
Tornando-se esta
tendência uma marca característica das primeiras e das sequenciais obras
da coreógrafa sinalizadas por caracteres psicofísicos - destreza, energia,
precisão, paixão. Valioso legado de Deborah Colker em sua longa trajetória no
ofício de decifração da corporeidade em movimento como manifestação artística.
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| Remix/Companhia de Dança Deborah Colker. Deborah Colker/Direção Coreográfica. Junho/2026. Flávio Colker/Fotos. |
Desde os anos 80, como integrante do Grupo Coringa, às suas inúmeras passagens como diretora de movimento de espetáculos teatrais, extensivas à sua experiência como coreógrafa de comissões de frente de conhecidas escolas de samba cariocas. Além das inúmeras turnês internacionais por mais de trinta países que a tornaram reconhecida, além fronteiras, no aplauso do público e na opinião crítica.
E mais, em épocas mais recentes, coreografando o Cirque du Soleil, as aberturas da Copa do Mundo na Alemanha, 2006 e dos Jogos Olímpicos no RJ, 2016, para
culminar, entre outras missões artísticas, como diretora de ópera no
Metropolitan Opera House, 2026, com “El
Último Sueño de Frida y Diego”.
Em Remix, transparece uma especial
seleção retrospectiva não crononológica com algumas das mais características
obras coreográficas da Cia De Dança Deborah Colker, partindo de Paixão que
remete à criação da sua obra inaugural - Vulcão, de 1994, conectada a Belle, de
2014.
Esta última como sua primeira recorrência à literatura,
através do romance de Joseph Kassel que inspirou o filme de Louis Buñuel - La Belle de Jour. Sob uma trilha antológica
de hits amorosos, os parceiros se atraem, ao mesmo tempo, demonstrando repulsa,
pela gestualidade de corpos que se confundem e se afastam.
Para estabelecer uma conexão temática, em paralelos sensoriais
diferentes, sobre as situações conflituantes da condição humana entre seres
apaixonados, ora submissos ora reflexivos, no entremeio de desejos
irreprimíveis e conflitos afirmativos entre a razão e o instinto.
As Meninas, extrato de 4x4 , de 2002, em que a própria coreógrafa Deborah, ao piano em cena, demonstra sua habilidade como concertista numa
das Sonatas de Mozart, enquanto duas bailarinas exibem-se em pontas sob uma
corporeidade gestual de apelo neoclássico.
Sequenciadas pelo preenchimento da caixa cênica com uma
criação de exponencial plasticidade - Vasos. Em que cerca de 90 deles no
ideário cenográfico de Gringo Cardia sugerem frágeis porcelanas chinesas, entre
as quais os bailarinos com ousada precisão técnica e absoluta delicadeza transitam
num pictórico jogo lúdico.
Ecoando ainda o conceitual estético-coreográfico de que dança é antes de tudo uma imagem em
movimento, Rota, de 1997, e confrontando a tradicional ideia de que a
dança é apenas uma verticalização dos bailarinos num plano-palco horizontal, em situação
oposta é a hora de Vertigem e da vez de Roda.
Aqui se desdobram uníssonos processos coreográficos inventivos,
desafiando a gravidade sob energéticos levantamentos aéreos da corporeidade em diálogo com o
espaço.E avançando mais este corpo-ação ao se desprender imageticamente do solo
em uma icônica roda mecânica.
Sob moto-continuo, com os acordes valsantes de Strauss do Danúbio Azul,
como a circularidade dos ciclos existenciais, fazendo dançar a vida no
culminante epílogo deste hipnotizante Remix...
Wagner Corrêa de Araújo
Remix / Companhia de Dança Deborah Colker, realiza curta temporada
no TM/RJ, dos dias 03 a 07 de junho, em horários diversos.



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