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| Compañia Antonio Gades. Bodas de Sangre. Antonio Gades/Coreografia. Junho/2026. Roberto Ricci/ Fotos. |
Uma dança em compasso de sangue e paixão, sob sonoridades, cores e ritmos vibrantes, como prevalentes caracteres deste gênero coreográfico, cultivado em compasso ancestral de bases folclóricas, assim é o Flamenco projetando o que há de mais fundo e autêntico na cultura espanhola.
Expressão potencial da alma e do povo andaluz representou, na
obra dramática e na poesia de Federico Garcia Lorca, o grande ideário de inicializador
do empenho pelo seu reconhecimento, como
uma máxima manifestação da criação artística espanhola em
âmbito universal.
E que através de nomes coreográficos exponenciais, indo de Paco de Ronda, Elvira Real, Carmen Amayo,
José Greco, passando pelas irmãs La Argentinita e Pilar Lopez, chega ao mais emblemático entre todos eles - Antonio
Gades. Que estendeu sua fama não só por intermédio
de seus balés, mas com sua parceria nas versões cinematográficas por Carlos
Saura da trilogia flamenca – Bodas de
Sangre, Carmen e El Amor Brujo.
Através de Pilar Lopez e
sua Cia, em temporada no Palácio das Artes (BH) nos anos 70, tive o raro
privilegio em conversas, entrevista e uma esclarecedora correspondência, de
saber detalhes sobre as trupes teatrais/coreográficas de Garcia Lorca em que
sua irmã La Argentinita participava. Sabendo
sobre detalhes curiosos como tudo começou na trajetória de Antonio Gades,
convidado por Pilar Lopez a integrar sua Cia de dança flamenca, passando este a
denominá-la de “a minha mestra”.
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Incentivado por Pilar, em anos posteriores, nunca deixaria de
acompanhar as turnês brasileiras da Compañia Antonio Gades, incluindo os
ensaios além do espetáculo, extensivos a conversas, comentários críticos e
entrevistas com Gades.
Como acontece agora, ao assistir outra vez a Compañia
Antonio Gades, mesmo sem sua emblemática presença, desde a morte em
2004 no auge de sua trajetória, mas primordialmente
conservando seu qualitativo legado, pela direção artística de Stella Arauzo, em espetáculo que reune dois clássicos de seu
repertório coreográfico - Bodas de Sangre e a Suite
Flamenca.
Inspirada pela peça de Federico Garcia Lorca, Bodas
de Sangre em leitura coreográfica, estreou há mais de meio século,
em 1974, e sua repercussão se tornaria maior ainda com o filme de Carlos Saura,
de 1981, conceituado o balé então como uma história espanhola, numa tragédia imbuída
de folclore.
Bodas de Sangre, a peça original escrita por Garcia Lorca é de 1933, incluindo
a sua dramaturgia, em prosa e verso, música, dança e mímica. Onde a versão coreográfica
de Antonio Gades, com uma duração de cerca de 40 minutos, sintetiza a narrativa
em cenas básicas, marcadas por um assumido minimalismo cenográfico extensivo a
uma discricionária coreografia. Privilegiando um emotivo e dramático gestualismo
que se estende às expressões faciais nas atuações protagonistas, com energia e
estilo nas cenas de conjunto.
Prevalecendo sombras entre círculos de claridades, mantidos os
efeitos luminares do próprio Antonio Gades, mais os figurinos típicos
provincianos, entre o sotaque camponês cotidiano e cerimonial nas núpcias (em
dúplice concepção por Francisco Nieva). Além de uma envolvente trilha musical (Emilio
de Diego) priorizando sonoridades flamencas
em guitarras e sapateados.
Coesivas formações grupais com instrumentistas ao vivo,
acordes da guitarra, reverberando em sete ritmos flamencos entre bulerias, tanguillos e soleares (estes
usando a concepção coreográfica de Cristina Hoyos). E cantos lamentosos de monocórdios vocais, sob acordes
vibrantes e pés percussivos, nas rodas populares, integrando a energizada Suite Flamenca, de 1968,
uma das primeiras criações de Gades.
Não podendo deixar de conferir um destaque, mais que especial,
por sua transcendência simbólica ao epílogo
de Bodas
de Sangre, no confronto do enfrentamento de vida e de morte, entre o
noivo (Joaquin Mulero), a noiva (Cristina Carnero) e seu amante (Angel Gil), na diferencial perspectiva estética de paralelas interpretações
miméticas.
Em que o único ruído é o da estocada simultânea sequenciada
pela queda mortal dos dois rivais, irradiando-se na força psicofísica da
bailarina Cristina Carnero e na consistência dos dois bailarinos numa carismática performance de teatro coreográfico, resumida nas
próprias palavras de Antonio Gades: “Esta
luta foi a coisa mais difícil que já fiz em minha vida”...
Wagner
Corrêa de Araújo
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| Compañia Antonio Gades. Suite Flamenca. Antonio Gades/ Cristina Hoyos / Coreografia. Clarissa Lapolla/Fotos. |
Cia Antonio Gades, com Bodas de Sangre e Suite Flamenca,
depois do TMRJ, encerra sua turnê brasileira no Teatro Bradesco/SP, dias 23 e 24 de junho, como parte da Temporada Dellarte de Dança 2026.



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