O CÉU DE BIBI FERREIRA : BELO TRIBUTO MUSICAL A UMA ATRIZ EMBLEMÁTICA SOB O FORMATO DE UM SHOW CÊNICO

 

O Céu de Bibi Ferreira. Gabriel Chalita/Dramaturgia. Gustavo Barchilon/Direção Concepcional. Janeiro/2026.Erbs Jr e Guilherme Logullo/Fotos.


Celebrar através dos grandes temas musicais que imortalizaram personagens e canções de uma das mais simbólicas estrelas na história do teatro brasileiro é o propósito do espetáculo O Céu de Bibi Ferreira, pelo sempre revelador ideário direcional de Gustavo Barchilon.   

Através das vozes e das performances de quatro reconhecidas intérpretes do teatro musical em moldes brasileiros a saber – Giulia Nadruz, Barbara Sut, Luísa Vianna e Fernanda Biancamano, sob uma inspirada narrativa dramatúrgica de teor literário-poético-documental por Gabriel Chalita.

Com um artesanal comando musical por Carlos Bauzys, destacando  em seus arranjos camerísticos para um afinado grupo instrumental, desde os leitmotivs de musicais da Broadway como My Fair Lady a um clássico do repertório de Chico Buarque - Gota d’Água, incursionando ainda pelas melodias de Piaf e também pelos fados de Amália Rodrigues.

Preenchendo a caixa cênica uma minimalista ambientação concepcional (Natalia Lana) referenciada através de diversos planos de um tablado e reflexos especulares, como pelo uso de manequins portadores de um similar mas, sobretudo, elegante figurino (Karen Brustolin). Com certa autenticidade mais aproximativa de um show cênico e tudo sempre ressaltado pelo bom gosto dos efeitos luminares (Ana Luiza de Simoni).


O Céu de Bibi Ferreira. Gabriel Chalita/Dramaturgia. Gustavo Barchilon/Direção Concepcional. Janeiro/2026.Erbs Jr e Guilherme Logullo/Fotos.


O espetáculo funciona realmente como uma espécie de show cênico, classificação sugerida pelo próprio diretor Gustavo Barchilon, um dos experts no gênero musical da última geração, desde as criações originais do circuito Broadway ao West End, sem nunca deixar de lado incursões no musical com um sotaque de brasilidade.

Sendo a maior parte de sua textualidade (Gabriel Chalita) pré-gravada com exposição das posturas e dos pensares de Bibi Ferreira sobre a vida, sobre a arte teatral, além de seu comportamento existencial como mulher e como cidadã consciente de seu ofício criador.

O que é continuado também na verbalização de seus conceitos artísticos-comportamentais por excepcionais atrizes-cantoras cada uma delas imprimindo matizes singulares no empenho de tornar vivo, com seu presencial cênico-musical, o testemunho da emblemática Bibi em sua longa trajetória artístico-existencial.

Capaz de ser tragicômica, melodramática, romântica e até mesmo brejeira, sabendo a hora e a vez de assumir o compromisso político e a pulsão social de uma artista plenamente engajada com seu tempo. Reafirmando seu múltiplo talento de atriz e cantora, dotada de uma corporeidade gestual a serviço de sua missão artística.

Por intermédio da representação vocal-musical de cada uma das quatro atrizes em personagens de vivências cênicas tão diversificadas, desde a entrega ao sonho romantizado da florista Elisa de My Fair Lady ou à potencial afirmação do feminino como a Joana de Gota d’Água.

Onde, por outro lado, a reverência assume tonalidades confessionais na trajetória pontuada de alegria ou desafetos da cantora Edith Piaf ou da espontaneidade afetiva nos fados de Amália Rodrigues, este show cênico prioriza uma sensorial força imersiva nos contornos de cada personagem interpretado, seja este ficcional ou realista.

Técnica e talento de sobra na unicidade performática deste convincente quarteto feminino (Giulia Nadruz, Barbara Sut, Luísa Vianna, Fernanda Biancamano) capaz de transmitir, na fluência de suas vozes e de suas movimentações no palco, o acerto direcional de Gustavo Barchilon fazendo da despretensão deste show cênico um envolvente  momento da arte de representar.

Valendo lembrar  aqui, oportunamente, uma das mais apropriadas reflexões do sociólogo e filósofo francês Edgar Morin sobre a magia do teatro podendo, quem sabe, fazer de sua palavra tão certa na  hora certa, uma definição para O Céu de Bibi Ferreira : “A estrela é mais que um ator encarnando personagens : ela se encarna nelas e elas se encarnam nela”...

 

                                        Wagner Corrêa de Araújo



O Céu de Bibi Ferreira está em cartaz no Teatro Sesc/Ginástico/Centro/RJ, quintas e sextas, às 19h; sábados e domingos, às 17h; até 08 de fevereiro.

JOB : UM MERGULHO ABISSAL NO INFERNO CIBERNÉTICO SOB O COMPASSO DE UM THRILLER PSICOLÓGICO


Job. Max Wolf Friedlich/Dramaturgia. Fernando Philbert/Direção Concepcional. Com Bianca Bin e Edson Fieschi. Janeiro/2026. Annelise Tozzeto/Fotos.



Uma das revelações da geração mais recente do teatro norte-americano é o dramaturgo Max Wolf Friedlich cujas peças se caracterizam pela abordagem incisiva dos conflitos psicológicos e questionamentos sem resposta que afligem a condição humana na contemporaneidade.

Desde sua estreia nos palcos experimentais novaiorquinos em 2012, ao absoluto reconhecimento do público e da crítica com sua peça Job, em 2023, a partir do seu cínico e provocador enfoque dos abismos mentais à causa da dependência avassaladora das mídias sociais. Inicialmente num teatro do Soho, dali chegando à Broadway no ano seguinte.

Tornando-se, então, um fenômeno midiático e, agora, pela primeira vez nos palcos brasileiros, a partir da apurada tradução de Alexandre Tenório, com o alcance de mais uma das destacáveis direções concepcionais de Fernando Philbert, tendo como protagonistas os atores Bianca Bin e Edson Fieschi.

A narrativa se desenvolvendo no entorno de uma funcionária de uma multi e influente empresa de tecnologia, voltada prioritariamente para os meios digitais, na qual Jane (Bianca Bin) atua como uma especialista no atendimento ao usuário, com a função de moderadora de conteúdos.



Job. Max Wolf Friedlich/Dramaturgia. Fernando Philbert/Direção Concepcional. Com Bianca Bin e Edson Fieschi. Janeiro/2026. Annelise Tozzeto/Fotos.


Onde o enfrentamento dos abusos cotidianos em todos os níveis, morais e políticos, representados pela internet, acabam provocando em Jane um surto mental, no desespero de um pânico no trabalho que viraliza como um meme, obrigando-a a se afastar enquanto aguarda o diagnóstico terapêutico de Loyd (Edson Fieschi) que ela busca em seu consultório.

O preenchimento da caixa cênica (Natalia Lana) reproduz a elegante e, ao mesmo tempo, acolhedora sala de atendimento do terapeuta, completada pelo design de uma estante com plantas, esculturas e enfeites de uma plasticidade que evoca as vivências hippies de Loyd (Edson Fieschi) em Berkeley, além das tradicionais cadeira do médico e do sofá dos pacientes.

Os dois personagens com indumentárias (Ronald  Teixeira) costumeiras devidamente apropriadas ao exercício cotidiano, tanto do ofício do terapeuta como o de uma profissional na tipicidade da Geração Z, trazendo  uma bolsa que esconde uma arma, segredo sinalizador no desenrolar da trama dramatúrgica.

Exemplificada no funcional dimensionamento dos efeitos luminares (Vilmar Olos), ora prevalentemente vazados, ora subitamente faiscantes, em flashs instantâneos que se conectam com intrigantes sonoridades, quase explosões, de uma trilha ruidosa capaz de assustar (Marcelo Alonso Neves).

E que  faz ascender a climatização de mistério, suspense e colapso, decorrente dos confrontos dialogais, sob calmaria ou surtos nervosos dos dois personagens que, sequencialmente, se transmitem dos atores aos espectadores provocando angústia e indagação sobre como decifrar o sentido de tudo aquilo.

Havendo ainda uma conturbada ambiguidade imprimida pelo dramaturgo à sua textualidade, a começar pelo dúplice significado que pode ter a titulação da obra. De um lado referenciando um personagem bíblico, nos ascendentes sacrifícios e sofrimentos enfrentados pela funcionária em nome de uma causa e, por outro, a tradução literal do vocábulo inglês com seu sentido de trabalho,  tarefa, função.

Sendo seguida, ainda, pelas mudanças de personalidade do terapeuta sob o stress ameaçador da paciente, atormentados ambos, mental e fisicamente, sob as incomodas circunstâncias de um enredo pleno de reviravoltas e que tanto pode soar como surpreendente ou, sobretudo, previsível, de acordo com a visão personalista de cada espectador.  

Destacando-se pela empatia performática de dois atores (Bianca Bin e Edson Fieschi), através da coesiva psicofisicalidade carregada de técnica e de indisfarçável apelo emocional no limiar de suas tensas contundências que se irradiam no gestual e nas falas de cada um deles.

Tudo sendo correspondido, com plena densidade, pela vigorosa direção de Fernando Philbert sabendo sempre como manter uma atmosfera sensorialmente impactante, sob permanente progressão dramática de pesadelo e de suspense.

Em espetáculo que, afinal, dá um necessário e urgente recado sobre o risco da conectividade desenfreada das relações humanas ao domínio de uma coercitiva e submissa adesão ao universo cibernético...

                         

                                               Wagner Corrêa de Araújo

 

Job está em cartaz no Teatro TotalEnergies (Sala Adolpho Bloch)/Glória, sextas e sábados, às 20h; domingos às 18h; até 22 de fevereiro.

PIQUENIQUE, VARIAÇÕES AMOROSAS : MÁRCIA MILHAZES CIA DE DANÇA ABRE A TEMPORADA 2026, COM IRRADIANTE E IMERSIVO POEMA COREOGRÁFICO



Marcia Milhazes Cia de Dança - Piquenique, Variações Amorosas. Marcia Milhazes/Concepção Coreográfica-Direcional. Janeiro/2026. Denise Mendes/Fotos.


Próxima de completar sua terceira década, como uma das mais destacáveis e inventivas companhias da dança contemporânea em moldes brasileiros, a Marcia Milhazes Cia de Dança apresenta o conclusivo segmento titulado Piquenique, ⁶Variações Amorosas, de uma diferencial trilogia iniciada por Sempre Seu (2015) e Guarde-me (2017).

Sempre sob a direção concepcional de sua idealizadora e coreógrafa Marcia Milhazes, aprimorando seu vocabulário do movimento dimensionado por uma intimista estética de apelo camerístico onde são privilegiadas desbravadoras criações formatadas para solos e duos, ou por vezes, pequenas formações grupais em trio ou quarteto.

Por outro lado, conectando-se ao legado da pulsante plasticidade apresentada pela linguagem do barroco brasileiro, sob suas formas pictóricas e esculturais que sugestionam um contínuo desdobramento imagético, ela vem transmutando isto em seu processo de criação coreográfica.

O que é ampliado no uso habitual de um acompanhamento musical pelas releituras presenciais de um trio barroco, entre a tradição e a modernidade. Ou por intermédio de uma criteriosa e lúdica colagem de temas melódicos pré-gravados, como na recorrência a registros sonoros antológicos da música popular brasileira, pelo sotaque romântico-melodramático das canções de Orlando Dias e Francisco Alves à brasilidade rítmica de Carmen Miranda ou Pixinguinha.


Marcia Milhazes Cia de Dança - Piquenique, Variações Amorosas. Marcia Milhazes/Concepção Coreográfica-Direcional. Em cena/ Ana Amelia Vianna e Domenico Salvatore. Janeiro/2026. Denise Mendes/Fotos.

Caso deste espetáculo, fazendo ascender a nostalgia afetiva da sua narrativa dramatúrgica, numa subliminar formatação de teatro coreográfico, no entorno do percurso amoroso de um casal, indo da alegria prazerosa aos descompassos dos relacionamentos humanos, interpretados com absoluta identidade coesiva pelos bailarinos Ana Amélia Vianna e Domenico Salvatore.

Enquanto a participação da conceituada artista e irmã Beatriz Milhazes no projeto cenográfico, contribui de forma emblemática para a trajetória de ressignificação visual da corporeidade em movimento. Afinal, é como se aqui a obra encontrasse um referencial no preciso pensar de Kazuo Ohno “Dançar é como desenhar uma linha na tela”.

Mas, também, com outro detalhe relevante no capricho dos figurinos desenhados por Márcia Milhazes, ao sobrepor peças da indumentária que vão sendo retiradas  em cena pelos intérpretes, desde tules e sedas a tecidos com detalhes cintilantes ou dourados, que incitam as lembranças vividas pelos dois amantes nas memoriais passagens do tempo.

Os dois tão afirmativos intérpretes bailarinos - Ana Amélia Viana e Domenico Salvatore - imprimindo aos seus personagens expressiva técnica física conectada a uma sincronicidade sensorial de seus embates passionais interiores, capazes de provocar espontâneo reflexo especular palco-plateia, pelo empenho inventivo do direcionamento concepcional e coreográfico assumido por Marcia Milhazes.

Que se materializa nas afetivas trocas de texturas gestuais e na circularidade de um corpo-linguagem dialogando com o espaço-tempo, sob a envolvência de efeitos luminares (em dúplice realização, Márcia e Glauce Milhazes). Propiciando matizações ambientais diversificadas nas tonalidades mais neutras das cores originais do painel cenográfico, extensivas à representação performática.

Piquenique, Variações Amorosas mostrando, mais uma vez, o pleno domínio da Marcia Milhazes Cia de Dança imersa numa gramática coreográfica que, ao lado de uma acertada precisão do ideário estético assumido por sua mentora artística (Marcia Milhazes), alcança seu complemento integral no contraponto sólido de seus dois convictos intérpretes-bailarinos (Ana Amélia Vianna e Domenico Salvatore).

Inteiramente entregues a uma extasiante  tradução física-afetiva da circularidade de um inventário amoroso, emoldurado pela magia dos traços pictóricos de Beatriz Milhazes, sob o irreprimível conceitual coreográfico de Marcia Milhazes. O que, com certeza, haverá de trazer novas perspectivas em 2026 para a dança contemporânea daqui e de além-mares...

 

                                               Wagner Corrêa de Araújo


Piquenique, Variações Amorosas/ Marcia Milhazes Cia de Dança está em cartaz no Mezanino do Sesc/Copacabana, de quinta a domingo, às 20h30m; até domingo, 18 de janeiro.

OS CREDORES / STRINDBERG : IMPLACÁVEL ANÁLISE CIRÚRGICA DAS RELAÇÕES CONJUGAIS NUMA DAS MAIS VIGOROSAS MONTAGENS DO GRUPO TAPA


Os Credores/Grupo Tapa. August Strindberg/Dramaturgia. Eduardo Tolentino de Araújo/Direção Concepcional. Em cena/Sandra Corveloni e Bruno Barchesi. Janeiro/2026. Ronaldo Gutierrez/Fotos.


A trilogia das Tragédias Naturalistas (Pai, Senhorita Júlia e Os Credores) foi elaborada pelo escritor, ensaísta e dramaturgo sueco August Strindberg (1849-1912), entre 1887 e 1889, tornando-se um emblemático signo de sua escritura cênica, ora voltada para o naturalismo ora para o expressionismo.

Entre outras peças deste autor, Os Credores entrou no repertório permanente do Grupo Tapa, sendo uma das mais reapresentadas desde sua primeira versão em 2012, sob a ousada marca da inventividade concepcional de seu diretor Eduardo Tolentino de Araújo. Repercutindo, ali, o legado da influência transformadora de A.Strindberg no processo criador da contemporaneidade teatral.

Do cast original à reestreia de 2023, aqui com base numa tradução direta do sueco pelo próprio encenador, trazendo desta vez, no elenco, os atores André Garolli, Bruno Barchesi e Sandra Corveloni. Além da inclusão inédita de um terceiro personagem apenas como um singular figurante e ao mesmo tempo atuando como contra regra - Felipe Souza.

A narrativa ambientada num hotel balneário, é configurada numa proposta mais concisa, mostrando sequencialmente três cenas em espaços diferenciais, sempre com as interferências do Encarregado (Felipe Souza) nas mobilizações dos poucos elementos cênicos. Em uma minimalista mas significativa cenografia (criação coletiva) no dimensionamento da trama dramática, completada pelos figurinos contemporâneos com sutis tonalidades atemporais.


Os Credores/Grupo Tapa. August Strindberg/Dramaturgia. Eduardo Tolentino de Araújo/Direção Concepcional. Em cena, Bruno Barchesi e André Garolli. Janeiro/2026. Ronaldo Gutierrez/Fotos.


Ampliada no intimismo de um espaço que faz com que a plateia participe mais imersivamente através do reflexo especular em plano frontal e lateral, produzindo um efeito de aproximação sensorial entre atores e espectadores. Sob um subliminar sotaque cinematográfico e virtual, referenciando uma antecipação quase secular do teatro de Strindberg  para  o cinema de Bergman.

Inicialmente em uma sauna masculina, onde o jovem escultor Adolf (Bruno Barchesi) é incitado a crer na volatilidade das esposas consideradas fiéis, por seu recente e supostamente amigo Gustavo (André Garolli), um convicto adepto de um machismo tóxico.

Na cena seguinte, diante de sua mulher Tekla (Sandra Corveloni), Adolf aparece como um marido fragilizado, não só por sua própria condição física, mas indefeso e manipulado como uma criança diante do domínio feminino exercido por sua consorte.

E na sequência, a força possessiva de Tekla sendo friamente confrontada por Gustavo que, na verdade, pela intuição quase previsível do enredo, apreendida ou não por alguns espectadores, revela-se como seu primeiro marido, demonstrando sua mágoa ferina por ter sido sugestionado como um personagem “idiota” no romance que ela publicou.

Os três protagonistas se destacando na unicidade do empenho e da entrega de seus personagens ao complexo conflito de vontades permeado por um niilismo cáustico e perturbador. A começar pelo jogo cruel estabelecido por Gustavo, agindo como vingativo credor de dívidas matrimoniais, que, no seu linguajar irônico e no gestual desintegrador, encontra um intérprete qualitativo em André Birolli.

Em contraponto a convincente personificação de André Garolli cintila, entre a melancolia e o ceticismo existencial de Adolf, não só por sua deficiência física e mais ainda por sua incapacidade de escapar à submissão feminina de Tekla, mesmo com sua pulsante busca afirmativa como artista plástico.

Enquanto Tekla, razão principal do tríplice embate psicológico perceptível na estruturação dos três papéis, imprime uma sedutora conotação sensitiva, entre a arrogância e a afetividade, no provocador exercicio de sua obsessiva feminilidade, num destaque absoluto como personagem, atriz e mulher para Sandra Corveloni.

O acerto da gramática cênica, assumida por Eduardo Tolentino de Araújo na peça Os Credores, um clássico de Strindberg, reafirma sua maturidade artística pelo reconhecido alcance de seu ideário direcional frente ao Grupo Tapa. Sempre voltado para um inventário dramático irradiante e esclarecedor, sintonizado com os avanços estéticos do teatro e com a problemática de nosso tempo...  

 

                                            Wagner Corrêa de Araújo


Os Credores, com o Grupo Tapa, está em cartaz no Teatro Poeira/Botafogo, de quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h; até 08/03.